veja AQUI a última entrevista de Marina para a revista ÉPOCA.
A senadora Marina Silva na semana passada. Ela é a única candidata que pode falar em “sonho” sem parecer artificial
(Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 15/agosto/2009.)
Entrou oxigênio puro na campanha eleitoral de 2010. A novidade se chama Marina Silva. A senadora petista e ex-ministra do Meio Ambiente está de mudança para o pequeno Partido Verde, que pretende lançá-la candidata ao Palácio do Planalto. Marina só vai anunciar sua decisão de entrar no PV em uma semana ou duas, e as convenções partidárias para confirmar candidaturas só acontecerão em junho do ano que vem. Mas a simples hipótese de existir uma candidata chamada Marina já abalou os fundamentos de uma disputa eleitoral que caminhava para ser um modorrento plebiscito entre a candidata do governo, a ministra Dilma Rousseff (PT), e o principal nome da oposição, o governador paulista, José Serra (PSDB).
“A utopia precisa continuar”, disse Marina a ÉPOCA (leia a entrevista na íntegra). É um gesto que está, a esta altura, no limite daquilo que ela pode afirmar para dar um sinal de que está disposta a aceitar o convite do PV. O vento novo de Marina fez subir também o balão do ex-ministro Ciro Gomes (PSB), que retomou seu projeto de candidatura presidencial. Tudo somado, as chances de uma disputa embolada até o segundo turno passaram a ser reais.
Marina Silva – Tenho vivido três momentos. O primeiro é sair ou não sair do PT, uma relação de 30 anos. O segundo, decidir sobre o convite à filiação ao PV. E, num terceiro momento, uma candidatura à Presidência. O modelo original do PV foram os partidos verdes europeus. Nesses países, as questões essenciais foram atendidas e fez-se uma luta de defesa do verde nos termos clássicos. Hoje, o principal desafio deles é a sustentabilidade. É preciso buscar uma ressignificação do PV, universal, em função da crise climática, sem deixar de dar respostas em todos os setores: economia, agricultura, energia, infraestrutura, ciência e inovação tecnológica.
Marina – Exatamente. Em função do que eles estão propondo, me interessou ouvi-los. Quero fazer uma discussão de conteúdo programático. Nenhum partido conseguirá homogeneizar a sociedade, mas acho que eles dão uma contribuição importante. A sociedade é diversa, multicêntrica, e é assim que os partidos têm de aprender a interagir. A falta dessa interação faz com que a gente esteja na crise política de hoje.
Marina – Na carta, eu agradeço ao presidente Lula e digo que, enquanto encontrava apoio político para as questões estruturantes, eu permaneci. Como não encontrava mais condições políticas para essa agenda, saí. Houve avanços, mas o desafio é gigantesco. Estou sendo coerente com a carta.
Marina – A relação não precisa trincar para que seja refeita. O presidente Lula é um realizador de utopias, não mais um mantenedor de utopias. A utopia deve continuar.

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Descendente de retirantes que fugiram da seca para trabalhar na extração da borracha, Marina estudou no Mobral e foi empregada doméstica antes de ser senadora e ministra 1958 | ||
| PAIS Pedro Augusto da Silva, Maria Augusta da Silva | AVÓS PATERNOS Emidio da Silva Julia da Silva | AVÓS MATERNOS Francisco Rocha de Morais Sofia Rocha de Morais |
| 1972-1974 ![]() 1978-1985 (Foto 1) 1984 (Foto 2) 1988 (Foto 3) 1992 1994 2003 | ||
revista ÉPOCA
ENTREVISTA - MARINA SILVA
Marina Silva critica Lula e Dilma: "Estamos num retrocesso"
Marina Silva critica Lula e Dilma: "Estamos num retrocesso"A ex-ministra diz que a MP sobre terras na Amazônia foi a pior iniciativa do governo Lula até hoje
Desde 2008, quando deixou o ministério do meio Ambiente para reassumir sua cadeira no Senado, Marina Silva nunca escondeu suas críticas ao governo Lula. Mas ela admite que nunca esteve tão decepcionada como agora. A Medida Provisória 458, em sua opinião, vai beneficiar grileiros e grandes proprietários de terras na Amazônia. Numa entrevista de mais de uma hora a ÉPOCA, Marina Silva não só criticou o governo, mas também fez uma avaliação negativa das noções de desenvolvimento da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula a sua sucessão.
ENTREVISTA - MARINA SILVA
QUEM É
Aos 51 anos, mãe de quatro filhos, Marina Silva está em seu segundo mandato como senadora pelo PT do Acre. Nasceu no Seringal Bagaço, comunidade a 70 quilômetros de Rio Branco, a capital acriana. Alfabetizou-se aos 14 anos no Mobral, foi empregada doméstica e formou-se em história pela Universidade Federal do Acre
O QUE FEZ
Foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula. Em 2007, foi apontada pelo jornal britânico The Guardian como uma das 50 pessoas que podem salvar o mundo. Recebeu da ONU o prêmio Champions of the Earth
ÉPOCA - O Brasil precisa da produção agrícola. O agronegócio é incompatível com o meio ambiente?
Marina Silva - Podemos triplicar a produção sem derrubar mais florestas. É só usarmos as tecnologias existentes hoje, como as da Embrapa. É possível evitar o uso predatório dos recursos naturais nas atividades agrícolas. É possível criar uma nova narrativa, sem satanizar os produtores. É a nova economia, a do século XXI. Ela corrige e previne erros. Temos de chegar ao século XXI.
ÉPOCA - O meio ambiente é um obstáculo ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)?
Marina - O PAC é importante e estratégico para o desenvolvimento do país. Agora, mais que acelerar o crescimento é dar qualidade ao desenvolvimento. Nem sempre crescer significa melhoria da qualidade de vida das pessoas. O PAC, em si, não pode ser definido como bom ou ruim, depende de como será feito. Há uma visão açodada, que encara as questões ambientais como ações protelatórias. Aí, ele passa a ser problema. O PAC é importante, mas é igualmente importante que as obras a serem feitas tenham a sustentabilidade ambiental.
ÉPOCA - Qual é sua opinião sobre a ministra Dilma? Marina - Não gosto de reducionismo. De pegar uma pessoa e dizer que ela é responsável isoladamente. Agora, se você me perguntar se a ministra Dilma tem uma visão de sustentabilidade ambiental nos mesmos termos que eu, diria que não. Ela ainda tem uma relação muito forte com a visão tradicional e antiga de desenvolvimento.
"Dilma tem uma relação muito forte com a visão tradicional e antiga de desenvolvimento"
ÉPOCA - No governo, a senhora teve vários embates com ela sobre isso. A visão dela está ganhando?
Marina - Existe uma visão desenvolvimentista no governo e na sociedade. O que foi feito, mesmo na minha gestão, foi apenas um pequeno começo. Temos de ter uma matriz energética limpa, renovável e segura, estradas com baixo impacto, produção de biocombustível certificada, produção agrícola e de carne certificada. O caminho é esse, não há atalhos. Há um processo em disputa no governo e na sociedade. Um setor do governo tem muita dificuldade de lidar com esse conceito. O transgênico pode existir, mas tem de coexistir com as sementes normais. Isso só é possível com rastreabilidade e armazenagem separada. Mas, quando você diz isso, pronto! Você é contra o transgênico e contra a ciência. Se você quer uma agricultura, pecuária, exploração de madeira de forma sustentável, é rotulado de ser contra o desenvolvimento e o progresso. Estão em luta duas mentalidades, atitudes e visões de mundo. Que desenvolvimento o Brasil quer?
ÉPOCA - Alguns afirmam que a regularização fundiária na Amazônia, a MP 458, abriu uma brecha legal para atuação dos grileiros. Qual foi o papel do governo nisso?
Marina - Foi a pior iniciativa do governo até hoje. A MP era ruim na origem e ficou pior no relatório do deputado Asdrúbal Bentes. Os ministros Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e Carlos Minc (Meio Ambiente) tentaram incluir salvaguardas, mas a proposta original já era ruim. As pequenas propriedades, de até 400 hectares, representam 80% do total, mas ocupam apenas 11,5% da área a ser regularizada. As médias e as grandes, que são apenas 20% do total, ocupam 88,5% da área. Permitiu-se que empresas e quem ocupa a terra por meio de prepostos sejam beneficiados. No projeto original, tanto o grande quanto o pequeno teriam de ficar dez anos, antes de poder revender.
ÉPOCA - A senhora disse que o dia da aprovação da MP foi o terceiro pior dia de sua vida. Por quê?
Marina - Foram mais de 30 anos de luta para evitar que a Amazônia virasse uma terra sem lei. Eu mesma vivenciei a luta de Chico Mendes para que o Acre não tivesse uma ocupação desordenada. O desmatamento do Acre hoje é em torno de 12% do território, enquanto em Rondônia é de 30%. Foi essa resistência que protegeu o Acre. Todo esse esforço não foi anulado, mas a MP não separou aqueles que apostaram na ilegalidade e na violência daqueles que têm direitos legítimos. Foi para isso que lutamos? Pensei em todos os que morreram lutando: Chico Mendes, irmã Dorothy, padre Josino. De 1999 a 2008, tivemos 5.384 conflitos de terras envolvendo 2,7 milhões de pessoas, 253 assassinatos, 256 tentativas de assassinatos e 1.377 ameaças de morte na Amazônia. A MP legitimou a grilagem de terra.
ÉPOCA - Por que a ofensiva está acontecendo agora? A senhora saiu do Ministério do Meio Ambiente dizendo que houve importantes avanços no setor. O que mudou?
Marina - Trabalhamos políticas estruturantes nos primeiros cinco anos. Diminuímos o desmatamento, que crescia de forma assustadora, de 27.000quilômetros quadrados em 2004 para 11.000 quilômetros quadrados em 2007. Apreendemos 1 milhão de metros cúbicos de madeira, o equivalente a um carro atrás do outro de São Paulo até o Rio de Janeiro. Mais de 700 pessoas foram presas. As estacas da legalidade estavam se firmando. Depois houve a reação e pressão para flexibilizar tudo. Começou dentro do próprio governo e em parte do Congresso.
ÉPOCA - As ofensivas coincidem com a gestão do ministro Carlos Minc?
Marina - Quando o ministro chegou, já havia uma tensão. O respaldo da sociedade deu ao presidente a chance de nomear um ambientalista. Deu fôlego ao governo. Depois houve uma avalanche contra o Ministério do Meio Ambiente. Uma proposta foi incluída na MP do Fundo Soberano - que caiu - que suspendia o licenciamento ambiental na ampliação de rodovias existentes. Outra medida foi a redução nas exigências de recursos para a compensação ambiental.
ÉPOCA - A senhora chegou a dizer que o ministro Mangabeira Unger fugiu do debate. O que quis dizer com isso?
Marina - O ministro Mangabeira é o coordenador do programa Amazônia Sustentável. Em várias oportunidades, foi convidado para vir às comissões tratar dos problemas da Amazônia. Não veio nem mandou representante. No dia da vigília, ele havia sido igualmente convidado, pois seria a entrega de 1 milhão de assinaturas pelo esforço dos artistas que se envolveram naquela mobilização, como Cristiane Torloni, Juca de Oliveira e Victor Fasano. Ora, quem está coordenando um programa de desenvolvimento sustentável para a Amazônia deveria estar interessado em receber esse respaldo. Os brasileiros não estão dizendo que querem a Amazônia como um santuário. Mas, sim, que há espaço para pecuária, agricultura, exploração florestal, turismo, uso da biodiversidade desde que se faça isso de forma sustentável. O ministro não veio.
ÉPOCA - Qual é sua principal divergência com ele?
Marina - Ele tem uma visão de que o que está hoje na Amazônia deve ser consumado e, daqui para a frente, se discute o resto. Não penso assim. Só podemos consumar o que é legal e certo. O que não é, vamos reparar. É assim que se faz o avanço institucional, o avanço civilizatório da humanidade. Estamos num retrocesso.
ÉPOCA - A senhora disse que o presidente Lula deu apoio a todas as medidas que resultaram em avanço. E agora? Ele está apoiando a ofensiva contra o meio ambiente?
Marina - Diante da gravidade do que está acontecendo, haverá necessidade de o presidente Lula puxar isso para si. Setores no Congresso Nacional propõem revogar a lei que criou a Política Nacional do Meio Ambiente, a lei que instituiu o Código Florestal Brasileiro e o decreto que trata do controle de poluição da indústria. Propõem revogar parcialmente o decreto que estabelece critério para o zoneamento ecológico e econômico e também a Lei nº 9.605, conhecida como lei de crimes ambientais, além do sistema nacional de unidades de conservação. Alguns setores se sentem à vontade para desconsiderar um esforço de mais de 20 anos. É uma ousadia. Querem mudar a lei, e não respeitá-la. O mundo inteiro olha para o Brasil. Se a MP 458 for promulgada como está, será um tiro de misericórdia em todos os avanços conquistados.
"O presidente Fernando Henrique Cardoso corajosamente aumentou a reserva legal de 50% para 80% da Amazônia"
ÉPOCA - A senhora divulgou uma carta aberta ao presidente, algo público, mas foi alguém de confiança dele por muito tempo. A relação entre a senhora e ele está tão distante assim que não dá para dizer algo pessoalmente?
Marina - Nós nos conhecemos há 30 anos e temos uma relação de respeito, mas preferi uma carta aberta. Se a sociedade brasileira concordar, o presidente pode sentir respaldo para dizer: vamos vetar algumas partes. Os problemas não estarão todos resolvidos, mas será um atenuante. Tive uma experiência interessante no Congresso quando começou um movimento contra a mudança no Código Florestal. Quando o desmatamento foi para 29.000 mil quilômetros quadrados, o presidente Fernando Henrique Cardoso corajosamente editou a MP que aumentou a reserva legal de 50% para 80% da Amazônia. Depois, tentaram voltar atrás, mas eu recebi 35 mil e-mails. O palácio também. O presidente Fernando Henrique não cedeu. Ele se sentiu respaldado.
ÉPOCA - O ex-ministro Gustavo Krause disse que os ministros do Meio Ambiente tratam de uma questão central para a humanidade, mas periférica para os governos. Ele está certo?
Marina - Infelizmente, ela ainda é periférica para os governos, as empresas e vários setores da sociedade. Na crise econômica, várias empresas, como a Vale, cortaram a diretoria do meio ambiente. Esse debate não foi compreendido à altura. Os pesquisadores admitiram, em Bangcoc (Tailândia), que o problema do aquecimento global é dez vezes mais grave do que haviam anunciado. O Brasil pode liderar o processo de mudança. Há aí um paradoxo. Em plena ditadura, foi criado o Conama, um conselho deliberativo. O governo Sarney fez o programa Nossa Natureza, criou o Ibama, o presidente Fernando Henrique criou a lei de crimes ambientais, a ratificação das convenções da biodiversidade e do clima e a MP que aumentou para 80% a reserva legal na Amazônia. Aí, veio o presidente Lula, com plano de combate ao desmatamento, de Amazônia sustentável e mudanças climáticas. São processos cumulativos. É assim que se vai depurando a sociedade. O Brasil pode liderar a agenda ambiental e fazer jus à potência ambiental que é. O Brasil tem 45% de matriz energética limpa. Mas quem está liderando é a Inglaterra, com 4%.
sobre Marina
Nascida em 08 de fevereiro de 1958 é ambientalista e professora. Nasceu em uma colocação de seringueiras chamada Breu Velho, no seringal Bagaço, a 70 Km do centro de Rio Branco, no estado do Acre. Seus pais Pedro Augusto e Maria Augusta tiveram onze filhos, dos quais sobreviveram apenas oito. Marina cortou seringueiras junto com as irmãs e plantou roçados. Caçou, pescou e, por fim, ajudou o pai a quitar as dívidas com o dono do seringal. Aos quatorze anos só conhecia as quatros operações básicas de matemática, pois onde vivia não havia escola. Formou-se em História pela UFA. Na faculdade descobriu Marx e entrou para um agrupamento político semiclandestino, o Partido Revolucionário Comunista (PRC), que mais tarde seria incorporado ao PT.
Foi professora na rede de ensino de segundo grau. Engajou-se no movimento sindical. Foi companheira de luta de Chico Mendes e com ele fundou a CUT do Acre em 1985, da qual foi vice-coordenadora até 1986. Nesse ano, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e candidatou-se a deputada federal, porém não venceu a eleição. Em 1988 foi a vereadora mais votada do Município de Rio Branco, e conquistando a única vaga da esquerda na Câmara. Como vereadora, causou polêmica por combater os privilégios dos vereadores e devolver benefícios financeiros que os demais vereadores também recebiam. Com isso passou a ter muitos adversários políticos, mas a admiração popular também cresceu.
Exerceu seu mandato de vereadora até 1990. Nesse ano candidatou-se a deputada estadual e obteve novamente a maior votação. Logo no primeiro ano do novo mandato descobriu-se doente: havia sido contaminada por metais pesados quando ainda vivia no seringal.
Em 1994 foi eleita senadora, pelo Estado do Acre, com a maior votação, enfrentando uma tradição de vitória exclusiva de ex-governadores e grandes empresários do Estado. Foi Secretária Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores de 1995 a 1997. Pode-se dizer que se tornou uma das principais vozes da Amazônia, tendo sido responsável por vários projetos, entre eles o de regulamentação do acesso aos recursos da biodiversidade.
Em 1996 recebeu o Prêmio Goldmann de Meio Ambiente pela América Latina e Caribe, nos Estados Unidos. Em 2007, por meio da Medida Provisória 366, a ministra Marina Silva desmembrou o Ibama e repassou a gestão das unidades de conservação da natureza federais para o Instituto Chico Mendes.
Em 2003, com a eleição de Lula para a Presidência, foi nomeada ministra do Meio Ambiente. Desde então, enfrentou conflitos constantes com outros ministros do governo, quando os interesses econômicos se contrapunham aos objetivos de preservação ambiental.
Também em 2007, Marina recebeu o maior prêmio das Nações Unidas na área ambiental - o Champinhons of the Earth (Campeões da Terra)- concedido a seis outras personalidades: o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore; o príncipe Hassan Bin Talal, da Jordânia; Jacques Rogge, do Comitê Olímpico Internacional; Cherif Rahmani, da Argélia; Elisea "Bebet" Gillera Gozun, das Filipinas; e Viveka Bohn, da Suécia.
Em 13 de maio de 2008, cinco dias após o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Marina Silva entregou sua carta de demissão ao Presidente da República em razão da falta de sustentação à política ambiental. as
EM PRIMEIRA PESSOA:
Comecei minha existência no seringal, em um lugar chamado Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco. Aprendi com meus pais a fazer tudo o que um menino ou uma menina que vive no seringal aprende. Aos 10 anos, o meu trabalho e o de meus irmãos era levantarmos todo dia muito cedo para ir cortar seringa. Eu, particularmente, acordava sempre às 4 da manhã, cortava uns gravetos, pegava uns pedaços de seringuins, acendia o fogo, fazia o café e uma salada de banana perriá com ovo. Esse era o nosso café da manhã. Aprendi a sobreviver às secas do Nordeste e depois à floresta úmida da Amazônia, tirando dali a sobrevivência de minha família.
Muito do que sou devo à minha família "sui generis", uma família de matriarcas. Fui criada pela minha avó em uma casa cheia de pessoas idosas. Eu criança no meio de seis adultos, registrava o que havia de melhor na experiência de vida daquelas pessoas. Tinha 14 anos quando minha mãe morreu. Fiquei um ano sem poder trabalhar porque estava com hepatite. No entanto diagnosticaram como malária. Quase morri. Impossibilitada de trabalhar, comecei a sentir uma tristeza muito grande. Hoje eu sei que chamam isso de depressão, mas naquele tempo a gente chamava aquilo de tristeza esquisita.
Certo dia fiz a opção de ser freira. Minha avó dizia: "Minha filha, freira não pode ser analfabeta". Eu não estudava porque, não tinha escola nos seringais. Resolvi que tinha que cuidar da minha saúde e estudar. Sempre fui uma pessoa de fé. Comecei a rezar durante um mês, pedindo que Deus tocasse o coração do meu pai e ele me deixasse ir para a cidade estudar. Quando fiz o pedido ele respondeu: "Você quer ir agora ou na outra semana, porque a gente tem que vender borracha para você levar algum dinheiro". Ajoelhei numa moita e rezei. Fiquei feliz da vida. A noticia chegou aos ouvidos do meu avô que hoje tem 102 anos. A oposição morre de medo que eu viva o mesmo tanto que ele. "Que história é essa dessa menina ir para rua estudar? Ela tem que ficar aqui cuidando da casa. Daqui a nove meses ela vai voltar embuchada e você não pode dizer que eu não avisei", vociferou.
Mas eu fui. Trabalhei como empregada doméstica e comecei a cursar o primário. Depois veio o ginásio. Acordava às 5 horas para aguar a horta. Terminava de limpar a cozinha às 8 da noite. Comprei várias velas, um despertador velho, tapei as frestas da porta para que a irmã Verônica não visse a claridade e estudava até as 3 da manhã. Durante um mês estudei muito e consegui passar.
No pré-noviciado ouvia falar num tal de Chico Mendes. Um dia vi um cartaz anunciando um curso de formação política para lideranças sindicais. Me inscrevi. A irmã perguntou que curso era e eu respondi que era oferecido pelo padre. Se ela soubesse que era para ouvir Leonardo Boff ela não tinha deixado. Os dois foram pessoas importantes em minha adolescência. Fiquei encantada com a Teologia da libertação. Uma idéia que a gente conhece a árvore pelos frutos que ela dá. De que a árvore que não dá frutos deve ser jogada no fogo.
Dali pra frente o desejo de ser freira ficava cada vez mais distante. Uma vida de oração já não era mais possível. Voltei para a periferia, perdi o vestibular em 79 por causa de uma hepatite. Em 1980 conheci o pai dos meus filhos. Já estava casada quando participei de um grupo de teatro amador que se chamava "Semente". Fazia o papel de chita, uma macaca imperialista que junto com o Tarzan queria invadir a Amazônia. A carreira artística não prosperou muito, mas aprendi a costurar e comecei a fazer figurinos de teatro. Uma madrugada acordei com os gritos do meu amigo Alberto Rocha gritando: "Macaca, tu passou!" Eu havia passado no vestibular para história.
Milhares de pessoas estão aguardando oportunidades. Mas, infelizmente elas são exceção, não são regra. O sistema durante muito tempo tem apoiado as exceções e mantém um discurso reacionário e conservador. Durante muito tempo alguns tentaram me rotular como exemplo da exceção para reforçar esse discurso conservador. Graças a Deus, a minha consciência política nunca me deixou me prestar a esse tipo de papel. Sempre vou trabalhar para que mais e mais pessoas possam ter oportunidades.
Chico Mendes
Com ele aprendi que se a gente dividir a oportunidade, dividir a realização, dividir o reconhecimento, a gente se torna uma força infalível. Por isso, se formos fazer as coisas para o povo brasileiro nós seremos derrotados, mas se fizermos as mudanças para e com ele, sairemos vitoriosos. Nós temos que fazer de forma tal que cada um de nós se sinta parte do problema e parte da solução. Cada um de nós tem que se sentir parte da pergunta e parte da resposta. Se colocarmos o problema e a pergunta no colo do Lula, iremos fracassar junto com ele. Mas se fizermos o contrário vamos ser uma potência em termos de esperança, de solução pacifica para os conflitos, uma forma diferente de lidar com a pobreza e com os recursos naturais.
Para terminar gostaria de contar um caso. Certa vez, um grupo foi fazer uma pesquisa nos seringais da Amazônia. O técnico colocou a barraca na beira do rio. O caboclo disse: "É melhor botar a barraca lá em cima porque vai chover e vai alagar tudo. O pesquisador revidou: "Não vai não caboclo. Já consultei o serviço de meteorologia e não vai chover". As 2 horas da manhã, ele acorda o caboclo pedindo para dormir na casa dele pois a chuva ameaçava invadir sua barraca. E ai perguntou: "Escuta caboclo como é que você sabia que ia chover quando nossos equipamentos diziam o contrário?". O caboclo então respondeu: "Tenho aqui um equipamento que nunca falha. O senhor tá vendo aquele formigueiro ali perto do rio? Tá vendo esse formigueiro aqui? Toda vez que as formigas sobem do formigueiro de baixo para o formigueiro de riba é porque vai chover e elevar o leito do rio. E esse meu equipamento nunca falha".
Digo para vocês: A Marina companheira, que hoje está ministra, quer continuar olhando para o que há de melhor na modernidade. Mas para o que há de mais sofisticado na tradição, olhando sempre para as formigas de baixo e as formigas de cima.
sobre o Movimento Marina Silva
Este é um movimento civil e suprapartidário em prol da democracia com sustentabilidade cuja ação central é apoiar a liderança de Marina Silva na construção do desenvolvimento sustentável no Brasil. Nascido em 2007 e impulsionado por uma rede de jovens, inicialmente objetivou despertar na sociedade e na própria Marina a semente da possibilidade de se tornar uma candidata à presidência do país. Ganhou projeção nacional e internacional via internet a partir de abril de 2009, hoje contando com mais de 10.000 integrantes, em todos os estados e em mais de 100 municípios Brasileiros.Logrado o primeiro objetivo, está atualmente promovendo a organização autogestionária de uma rede de cidadãos e cidadãs que, em 2010, darão suporte para que Marina Silva lidere o país rumo ao desenvolvimento sustentável, colocando em prática um novo jeito de fazer política.
Gente que apoia Marina
"Se ela for, voto nela, com a esperança de que ela, com sensatez que sempre demonstra, acolha a complexidade da realidade. E, no poder, seja mais pragmática que Lula. E mais elegante, o que já é." Caetano Veloso"Em 2010 o Brasil terá uma candidata à Presidência que encanta o mundo: Marina Silva." Al Gore
" Marina Silva, se candidata, fará com que as eleições de 2010 não fiquem de olho no passado, avaliando os 8 anos de governo Lula, e sim de olho no futuro, debatendo o projeto Brasil e o desenvolvimento sustentável. Penso que ela é a melhor candidata." Frei Betto
"Marina me arrebata. É nobre, firme, sóbria. E domina a área dela, a do meio ambiente. Como Gilberto Gil que passou pelo governo federal sem se manchar, sem cometer erros crassos. Jurei que não votaria mais em candidato nenhum, nem do Executivo, nem do Legislativo. Mas a Marina talvez me anime a voltar atrás. Fechei com Lula nas eleições de 2002 e, depois, parei de votar. Os políticos me irritam. Imaginam que somos idiotas." Maria Bethania

"Marina traz uma postura muito contributiva para o desenvolvimento da vida política no Brasil. Se ela se candidatar, vai ser muito interessante" Gilberto Gil
"A Marina pode não estar interessada na presidência, mas a presidência, isto é, o povo, tem interesse nela." Mario Rique Fernandes

"Qual é a pessoa com carisma, com base popular, ligada aos fundamentos do PT e que se fez ícone da causa ecológica? É uma mulher, seringueira, da Igreja da libertação, amazônica. Ela também é uma Silva como Lula. Seu nome é Marina Osmarina Silva. Marina representa outro paradigma. Não mais a má utopia do progresso sem fim, mas a boa utopia da harmonia planetária. A nossa visão não é restrita a 2010-2014. Estamos mirando a grande crise de 2035 e buscando evitá-la enquanto é tempo ou, na pior das hipóteses, buscar alternativas ao seu enfrentamento. É por isso, por amor a nossos filhos, netos e netas, temos que dar força à candidatura da Marina. E que Paulo Freire nos ajude a fazer dessa campanha eleitoral uma campanha de educação popular de massas" Leonardo Boff

"Marina Silva está léguas à frente da maioria da classe política em termos de desenvolvimento sustentável. Votaria nela com entusiasmo." Oded Grajew
"Além de ter as qualidades carismáticas de um Barack Obama, ela é mais bem informada, culta e hábil que o atual presidente brasileiro. Estou seguro de que saberá compor uma equipe governamental capaz de colocar o Brasil no rumo do ecodesenvolvimento." José Eli da Veiga
"O Brasil precisa de um projeto moderno e ético e do retorno da paixão à política, o que só pode ser traduzido por candidaturas muito especiais, dessas que fazem a gente se orgulhar ao votar. Anotem aí: Marina é a cara!" Marcos Rolim

"Para mim, a Marina é uma mulher maravilhosa, uma militante de esquerda exemplar." Heloísa Helena
"A candidatura de Marina Silva à Presidência da República seria "um raio de sol" na política brasileira" Chico de Oliveira
"Marina Silva representa uma visão mais ampla, inclusiva e sensível de crescimento econômico, social e ambiental presente em líderes de empresas, líderes do terceiro setor, em comunidades tradicionais, em educadores; e não somente em ambientalistas" Kaká Werá Jecupe

"Os que não perderam a crença nas mudanças devem se alegrar com candidaturas portadoras de utopias, como a de Marina Silva e outras que venham a surgir." Cristovam Buarque
"Marina foi minha professora de História no Colégio Meta e sempre foi assim...integra...guerreira...é de seres humanos como ela que nosso Brasil precisa!" Rogéria, Acre

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